Relato escrito por: Priscilla Diniz (Membro do COA Brasil).

Minha história com a Coruja-preta (Strix huhula) começou no 29º Congresso Brasileiro de Zoologia, em Salvador – BA. Nesse evento comprei meu primeiro guia de campo e, também, pela primeira vez vi uma ilustração dessa incrível caçadora noturna. Foi ali que meu coração bateu mais rápido, enquanto borboletas dançavam tango no meu estômago, e me apaixonei.

Desde então, passei por diversos estados deste nosso Brasil e em cada um deles tentei marcar um encontro com essa admirável ave, mas, aparentemente, não rolava um “match” entre a gente. Segurei o choro em cada uma das vezes que eu escutava seus chamados, mas não a via. Fiquei frustrada e triste quando, em muitas noites, nas matas só se ouvia as cigarras. Anos se passaram e nada, nada de Coruja-preta diante dos meus olhos…

As vezes penso que os bichos sentem quando não são mais o centro das atenções e nesse momento resolvem baixar a guarda e se deixam ver. Acredito que isso aconteceu no dia 23 de setembro de 2019.

A querida Rose Almeida havia chegado em Manaus e, juntamente com a Fernanda Fernandex, resolvemos buscar por uma Coruja-de-crista (Lophostrix cristata) dentro da cidade mesmo. Ainda não era noite quando chegamos ao local e propus que esperássemos uma Mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis) antes de seguirmos até a mata mais alta, onde eu esperava encontrar a Coruja-de-crista.

A Mãe-da-lua-gigante não apareceu, mas havia um Bacurau (Nyctidromus albicollis) cantando, então eu decidi seguir para o ponto planejado, afinal, as aves noturnas estavam começando a se mexer. Entramos no carro e comecei a relatar para a Rose sobre como eu visitei diversas vezes aquele local atrás da Coruja-preta, pois o Levi Pereira, uns anos atrás, se deparou com ela por ali.

Coruja-de-crista (Lophostrix cristata), Mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis) e Bacurau (Nyctidromus albicollis)

Eu estava no meio da história, enquanto a Fernanda dirigia, quando vi um vulto, meio de “rabo de olho”, em um fio. Presumi que era uma folha seca, mas sabe quando você não fica em paz? Pois é, eu quis conferir. Pedi para Fernanda parar o carro e me emprestar uma lanterna, abaixei o vidro e não acreditei no que estava vendo: havia uma Coruja-preta pousada no fio, do lado da rua, e eu não estava procurando por ela!

Coruja-preta (Strix huhula). Foto: Priscilla Diniz

Tendo a ter pequenos ataques histéricos nessas situações, mas respirei fundo e pedi para Rose registrar, pois ela era a única que estava com a câmera a postos. A Fernanda ficou aflita, pois ela participou de muitas das minhas tentativas frustradas de visualização dessa coruja, e ela havia dito, uns dias antes, que gostaria muito que eu a visse na sua companhia, e ela sabia, melhor que ninguém, do meu enorme desejo de poder registrá-la.

Decidimos descer do carro, mas, como eu esperava, a coruja voou. Não quis tocar o playback para descobrir onde ela estava, optei por vasculhar as árvores com a lanterna, pois tive a impressão de que ela não tinha voado pra longe. E não é que achei a bonitinha? Era o fim de uma longa espera. Finalmente, eu tinha visto, fotografado e gravado uma Coruja-preta.

2 comentários em “Sem hora marcada

  1. Parabéns, Priscilla! Belo relato! sei bem como é isso. me sinto assim quando saio para corujar em busca dessas maravilhosas. O Gustavo Pinto que o diga. Ele sabe bem como eu fico. Feliz por você! Que venham mais surpresas… 👏👏👏 Cláudia Rodrigues

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